“Seu bolso é meu guia”. O lema é o que mais faz sentido para o contrabandista. Ele compra fora e traz para vender no Brasil o que é o sonho de consumo da vez e em 2025, a moda é emagrecer e ficar bonito. O “contrabando da beleza” tem rendido este ano mais apreensões que flagrantes de tráfico de drogas. É o que observa o tenente-coronel Vinicius de Souza Almeida, comandante da PMR (Polícia Militar Rodoviária) de Mato Grosso do Sul.
Assim como funciona como corredor para os entorpecentes produzidos na Bolívia e Paraguai, o Estado também é rota clandestina para o contrabando. Pelas rodovias estaduais, escoam drogas, armas, cigarros, eletrônicos e sim, o tão desejado medicamento que faz emagrecer rápido.
O comandante afirma que os flagrantes dão bastante prejuízo para os contrabandistas, mas a fiscalização das rodovias é insuficiente para frear o comércio ilegal, uma vez que as penas para quem é pego com mercadoria irregular são brandas.
A diferença entre contrabando e descaminho é que o primeiro se refere à entrada de produtos proibidos no País. O descaminho representa a sonegação fiscal, quando itens permitidos entram no Brasil sem o pagamento dos impostos previstos por lei.
“Contrabando e descaminho são contravenções penais, não crimes. A pessoa não fica presa. Em geral, a gente faz o flagrante e encaminha para a PF (Polícia Federal). O que mais acontece é o delegado arbitrar uma fiança e liberar o autor. Nós encaminhamos, então, a mercadoria para a Receita Federal”, descreve o comandante sobre os procedimentos de praxe após as apreensões.
Coronel Souza diz que, apesar da “dor de cabeça”, o contraventor absorve o prejuízo, mas não para. “A maioria sai no mesmo dia e no dia seguinte, vai fazer a mesma coisa, porque dá muito dinheiro”.
O policial conclui afirmando que o problema é muito maior do que o que cai nas mãos da PM. “É quase impossível fazer o controle só com as apreensões da PM. Esse é um problema de saúde e da conduta da população que consome”.
Coronel Vinicius De Souza Almeida, comandante da PMR em Mato Grosso do Sul (Foto: BPMRv/Divulgação)
Última apreensão – O último flagrante nas rodovias estaduais aconteceu nesta quinta-feira (20), em Ponta Porã. Na carga havia não só os emagrecedores, mas também anabolizantes, substâncias para tratar calvície e os cabelos. Um total estimado de R$ 149 mil em produtos.
A mercadoria do Paraguai estava em um GM Prisma conduzido por um motorista que havia sido contratado para fazer o transporte ilegal. O condutor contou aos policiais que havia recebido uma proposta de um conhecido para buscar a carga e que receberia R$ 1.200,00 pelo serviço.
De acordo com a equipe do BPMRv (Batalhão de Polícia Militar Rodoviária), da base operacional de Aquidabã, durante abordagem de rotina e vistoria dos itens obrigatórios no veículo, foram encontrados 12 aparelhos celulares, entre eles modelos iPhone, Redmi e Poco, além de um dispositivo Fire Stick da marca Amazon (controle para casas inteligentes).
Também foram encontrados diversos medicamentos emagrecedores, incluindo 256 caixas de tirzepatida, 133 caixas de Lipoless, 17 caixas de Tirzec, 2 caixas de Lipoland, 1 caixa Synedica Labs, 103 caixas TG, 4 unidades de Retatrutide, 2 caixas de Landertropin.
No “estoque” também havia uma unidade do esteroide anabolizante sintético Oxandroland 5, três frascos de Minoxidil (substância que faz crescer cabelos), um Gummy Hair (vitamina capilar) e uma loção corporal.
Diante da irregularidade constatada, a equipe entrou em contato com a Polícia Federal de Ponta Porã e apreendeu as mercadorias e o veículo, que deverão ser apresentados à Receita Federal. O homem foi liberado.













